quarta-feira, 7 de outubro de 2009

REVIEW MAXIMÍDIA SAT - 2º DIA

Antes de começar a falar sobre as palestras do segundo dia de evento, gostaria de lembrar do evento no ano passado, e comparar um pouco com esse ano. No ano passado, falou-se muito pouco a respeito de mídias sociais. Tivemos palestras muito interessantes sobre entretenimento, games, marcas, mas nenhuma com o foco tão específico quanto o desse ano com respeito às mídias sociais.

O que quero dizer com isso é que apenas um ano se passou, e já estamos discutindo assuntos completamente novos. E mais,reitero o que os blogs de propaganda nacionais, como o Update or Die dizem, o Brasil não está devendo em termos de conhecimento pros outros países. Em parte por conta da própria característica desse novo conhecimento, de se alastrar como fogo em tempo seco. Depois por conta da grande capacidade e profissionalismo dos nossos profissionais.

E isso me deixa ao mesmo tempo alegre, e triste. Contente, porque é um orgulho ver que estamos inseridos na bolha mundial da nova era comunicacional. Triste, porque a frase anterior não se aplica regionalmente. Conversei com algumas pessoas ao fim de cada palestra, e notei um certo descaso com as novas tendências, e até uma certa ignorância. Me entristeci ao ver que muitos donos de agências importantes não estavam presentes, discutindo e debatendo os assuntos nos bastidores. Me amargou perceber que novas agências com supostos novos formatos, esperança de um novo amanhã, sequer estão inscritas no evento.

Dessa forma, muitas vezes penso não ser aqui o meu lugar. Pode parecer egoísta ou pouco “patriota”, mas tente entender. Não ambiciono ser dona de agência. Apenas quero um lugar digno para trabalhar, em termos intelectuais, e em termos de realização profissional. E se o lugar digno não está aqui, porque os atuais donos de agência não querem viver as tendências, está em outro lugar. Do contrário, não haveria MaxiMídia com os temas propostos. Ou isso, ou liderar a revolução. Who’s with me? Vamos às palestras:

“Mercados Regionais”

Duas grandes companhias de comunicação apresentaram a sua forma de trabalhar: a RBS, do sul do país, e a RBA, do norte do país. Tive que sair no auditório do meio da palestra para frente, mas acompanhei vidrada a apresentação da RBS. Detentora de vários veículos de comunicação no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a empresa parece entender muito bem dois fundamentos importantes: a essência do regionalismo e a comunicação em 360º. Só para citar exemplos: a afiliada da Globo aproveita os espaços locais da grade para desenvolver programação regional com produção ricamente elaborada: são mini-séries, mini-novelas, programas regionais, coberturas de grandes acontecimentos do mundo como aconteceu com as olimpíadas, e a eleição nos EUA. Tudo isso pra deixar a informação e o entretenimento com a cara que o sulista quer ver.

E isso acontece aqui, no nosso Goiás? Não. Sabe por que? Cultura. Amo essa terra de paixão, e tenho orgulho da cultura goiana. Mas o goiano médio não quer ter cara de goiano. Ele quer consumir a moda, as tendências, os produtos de São Paulo. As empresas daqui não querem ter a cara daqui e não querem ser atendidas por agências daqui. Somos um mercado que vive de mimetismo. E dou a cara pra bater: somos um povo sem identidade cultural. E isso é fundamental para associações de marca, ou de grupos de comunicação. Mais uma vez fico entristecida, ao ver que nosso maior grupo de comunicação está tão atrás em termos de tendências. Ninguém gosta de Frutos da Terra e nenhum cliente quer patrocinar, apesar de ele ser o melhor exemplo que temos. Dia desses eu ouvia o cd “Noites Goianas” no carro (que é divino, gente!) e riram de mim, dizendo que eu era brega, cafona etc. Os próprios profissionais de mídia repudiam o que é local. E por isso eu acho que somos um povo sem identidade cultural. E é por isso que me enchi de inveja e despeito ao ver todos os cases expostos com tanto orgulho hoje pela RBS.

“Implementando conceitos e inovando no mundo da comunicação”

Infelizmente vários imprevistos me fizeram perder boa parte desse painel. Cheguei muito atrasada depois de ter errado o caminho duas vezes, e no pouco tempo em que fiquei no auditório, só pude tirar conclusões isoladas. Então, me abstenho de comentar essa palestra, sem saber direito o que estou fazendo. Aproveito para convidar algum colega para nos dar sua impressão sobre esse painel.

“A fronteira do marketing: o entretenimento de marca e a mídia social”

Confesso que esse painel foi o meu xodó do MaxiMídia. E não me decepcionou. Primeiro, pelas participações (momento jabá: acompanho há muito a carreira da Gleydis, da Y&R, e ela é uma profissional que admiro muito). Segundo pelo conteúdo. Abrindo a palestra com uma alucinante e empolgante apresentação de números da internet e das mídias sociais, Mike McGraw não decepcionou em momento algum. Mas o que ele falou, é o que já estava sendo falado por todos que tocaram no assunto das mídias sociais.

A partir disso, temos a certeza de que temos de pensar em cada vez mais pontos de contato com o consumidor. As novas mídias não substituirão as mídias tradicionais, mas adicionarão conteúdo, e novas e interessantes formas de comunicar. Quando pensamos no consumidor como produtor de conteúdo, isso é muito mais no sentido de controlar do que de executar. Virais caseiros não serão a nova sensação da propaganda. O consumidor não quer se privar da estética e da criatividade, mas quer estar inserido nisso. A internet dá esse poder que no fundo todo ser humano anseia, que é o de ter seus 15 minutos de fama. Seja protagonizando uma ação, ou seja contribuindo para o sucesso (e às vezes o fracasso) dela. As marcas devem dar asas ao seu consumidor, no sentido de satisfazer essa necessidade dele se sentir importante, ou visto. Enquanto o palestrante mostrava seus cases, lembrei-me de uma ação da Trident, o Speed Dating, muito bem sucedida nesse sentido. A ação se passou em Porto Alegre, num vagão de metrô em movimento, e foi transmitida no hot site e no You Tube. Homens e mulheres ficavam sentados nesse vagão, que andava normalmente pela cidade, e em cada estação, os homens iam em rodízio sentando-se ao lado de cada menina. O “speed dating” consistia num rápido xaveco, tempo que o rapaz tinha entre uma estação e outra, em que a menina beijava ou descartava o rapaz, e o avaliava numa fichinha. Todos, claro, mascando Trident. Além da curiosidade que essa ação exercia sobre nós, consumidores, ainda tinha o hot site, em que qualquer pessoa poderia criar perfis, ver outros perfis, enviar xavecos em vídeo ou por escrito, e virtualmente beijar ou passar as pessoas. Pensa na lembrança de marca que uma ação dessas possui?? Eu mesma passei alguns momentos me divertindo no hot site. Isso é gerar entretenimento com lembrança de marca.

Por fim, falou-se sobre os três “be’s” importantes para uma marca, ao estar em contato com o seu consumidor: be there (em vez de interromper o consumidor nas suas atividades, ser uma parte da vida dele), be relevant (gerar relevância para o consumidor, ou seja, criar conteúdo do interesse de seu público), e be useful (ser útil). Acho que com isso, não precisamos falar mais nada.

Amanhã termina o evento, com palestras mais técnicas, e mais voltadas para prática, verba, economia, enfim, o que eu imagino que muitos de nossos profissionais realmente queiram ouvir. E que não deixa de ser interessante. Acho que amanhã finalmente (ou não) ouviremos menos sobre mídias sociais, e mais sobre números. Vou tentar estabelecer a transmissão do live amanhã novamente, mesmo hoje termos tido uma péssima conexão, e eu ter interrompido tão cedo o blogging. Amanhã também teremos uma divertida ação que irá encerrar as nossas atividades no MaxiMídia Sat, e contamos com a participação de todos.

Continuo convidando a todos para que participem, enviem seus reviews, perguntas, vídeos, ou que pelo menos continuem nos acessando. E daqui a pouco, mais vídeos e fotos do 2º dia de evento.

Renata Prado
Diretora de eventos do Grupo de Mídia de Goiás e moderadora dos perfis sociais do GMG.

Um comentário:

Unknown disse...

Renata, muito boa as suas observações e me identifiquei muito principalmente quando vc disse sobre o discasso de alguns profissionais sobre as novas tendências ou melhor, sobre a nova realidade. É triste mesmo saber que importantes agências, importantes profissioais não comparecem a um evento tão importante quanto este. Não contendo a vontade de expressar a minha opinião que pode ser conveniente ou não eu digo aqui: eu particularmente e outras pessoas tbm "esperam" o ano todo pra chegar no maximidia e se abastecerem de informações, enquanto outras pessoas simplesmente ignoram. Eu não consigo entender essa atitude. Mas uma coisa é certa, na realidade em que vivemos onde as informações são muito rápidas e onde o ONTEM já virou passado, com certeza as pessoas que acompanham essas informações, os profissionais que se reciclam, estão a alguns passos na frente.